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domingo, 1 de dezembro de 2019

Hayek x Keynes - "A batalha do século"

Após as últimas postagens complexas e um tanto "azedas" sobre a reforma da previdência, vamos falar agora sobre algo bem mais legal relacionado a economia: 2 raps.

Já faz um bom tempo que esses vídeos foram postados, mas caso não conheça e mesmo que você não curta o assunto vale a pena ver nem que seja somente o primeiro. Foi genial o que esses caras fizeram. Resumiram 2 das escolas de economia mais importantes explicando o seu antagonismo de forma muito inteligente.


Mas quem foram Hayek e Keynes?

Friedrich August von Hayek: economista e filósofo austríaco depois naturalizado britânico. Pupilo de Mises, da Escola Austríaca de Economia. Sua teoria sobre os ciclos econômicos recebeu um Nobel em 1974.

John Maynard Keynes: economista britânico que pregou ideias que influenciaram bastante os modelos macroeconômicos, incentivando uma maior intervenção dos governos na economia.


Round 1: Fear the boom and bust (Tema a expansão e recessão)
Como é bem resumido no video: "Keynes quer dirigir o mercados, Hayek quer libertá-los". Vemos como Keynes é praticamente um superstar já que fala tudo o que as pessoas querem ouvir.

O povão não se incomoda, na verdade adora ver o governo oferecendo dinheiro, e claro que nunca se chateia com essa ideia de gastar cada vez mais sem pensar em poupar...

Como bem dizia Keynes, para que pensar no futuro se "no longo prazo estaremos mortos"... Não precisa pensar muito para ver como isso vai contra tudo o que a blogosfera de finanças recomenda.

Já Hayek é desconhecido, impopular. Tenta trazer as pessoas à realidade com foco no longo prazo. Mostra que estímulo governamental é como beber mais no dia seguinte para tentar curar uma ressaca. Explica que não há como se ter prosperidade sem poupança e investimento


Round 2
No segundo rap temos uma luta de boxe e um julgamento que começam focados na temática da recessão após a crise do subprime. Logo na entrada a gente vê como o pobre do Hayek continua desconsiderado... acaba sendo barrado na entrada, enquanto Keynes entra mesmo com o detector de metais apitando...

Keynes continua insistindo que devemos manter o gasto fluindo... Hayek resume mais uma vez que sabemos muito pouco do que realmente ocorre para tentar interferir e que o "longo prazo" chegou...

O final é emblemático. No boxe, mesmo nocauteado, o juiz concede a vitória para Keynes. No julgamento, a maioria aplaude Keynes, mas é interessante ver que alguns começam a dar voz a Hayek...

Na verdade nunca houve um debate entre eles. As ideias de Keynes ditavam aquela época em momentos que governos interviam bastante na economia. O valor de Hayek só foi reconhecido muitos anos depois, durante a crise dos anos 70.


E o que a Escola Batalha de Economia prega?

Vemos nos vídeos como fica claro que é muito mais cômodo ser keynesiano e isso explica muito da popularidade de suas ideias. Ninguém precisa fazer conta, basta só aceitar um dinheiro que o governo está injetando para consumo e/ou investimento.

Mas com o seu entendimento de como o mundo real funciona, a Escola Batalha de Economia defende que o ideal seria algo na proporção de 80% Hayek e 20% Keynes. O que faz um país crescer é o trabalho, pessoas empreendendo e gerando empregos, o mercado em sua maior parte se auto regula.

Há áreas como assistência social, justiça e combate a monopólios que precisam sim de governos minimamente sérios e eficientes atuando, e é ai que mora o grande problema: ineficiência e corrupção são muito comuns em vários países...

No final não seria um estado mínimo, mas sim um estado otimizado e eficiente, colocando o nariz somente aonde deve, sabendo os momentos onde precisa intervir e ciente que na maior parte das vezes a sua ação deve ser mínima.

Por exemplo, o pós-guerra na década de 40 precisava de um empurrão a mais, talvez a crise do subprime de 2008 tivesse sido ainda pior sem a atuação do governo, por mais que ainda assim eu questione a forma como tudo foi feito, com alguns bancos grandes saindo ainda maiores da crise.

Mas nunca há uma solução perfeita. Assim é o mundo...

E como diria um amigo meu: "Se o governo não faz, os profissionais vão fazer..."

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Reforma da Previdência - Parte 2: Havia alguma alternativa viável?


Esta postagem é uma continuação desta, onde fiz uma análise da Reforma da Previdência à luz da Escola Batalha de Economia.

Não queria me estender muito pela polêmica e também por ser complicado resumir algo tão complexo, mas como não gosto de deixar as coisas pela metade resolvi concluir o assunto.

Mais uma vez adianto que o meu objetivo nunca foi de comemorar ou torcer por uma reforma. Não gasto meu tempo com isso, não tenho disposição para defender nada nessa área. É algo muito lógico, mas o fato de eu ser peão e não me posicionar não muda em nada o fato de ela ter sido aprovada.


A intenção na verdade é analisar fatos e dados e nesta postagem em especial avaliar se havia alguma alternativa. Na Escola Batalha de Economia a gente tenta entender como as coisas funcionam.


Vamos relembrar mais uma vez o problema:

Como bem explicado nesse artigo já tivemos 6 emendas constitucionais sobre previdência. Não cabe mais aquele tradicional "ah era pra ter sido mais debatida". Já são 20 anos que esse assunto vem sendo tratado...

Deficit 2018: R$197 bi (+7% em relação a 2017): arrecadou R$397 bi, gastou R$594 bi, gasto esse que corresponde a 8,6% do nosso PIB, ou seja: R$594 bi de um PIB de R$6,8 tri.

Em 2019:
Orçamento total: R$1,438 tri:
- Previdência: R$767,8 bi (53,4%)
- Saúde: R$118,6 bi (8,25%)
- Educação: R$98 bi (6,8%)
- Segurança: R$11 bi (0,78%)

Nos dias em que escrevi isso, houve alterações no senado que reduziram a economia para cerca de 800 bi. No final ainda saiu da reforma as mudanças no BPC, aposentadoria rural, mudança de idade mínima das mulheres e regras ficaram mais brandas para professore.


Mas afinal, havia alguma alternativa viável?

Uma dos maiores erros que podemos cometer é se considerar como o detentor da verdade absoluta. Sempre é bom se dar o benefício da dúvida. Baseado nisso pesquisei os motivos pelo qual não se deveria fazer uma reforma da previdência.

Depois de um bom tempo de pesquisas, achei essa imagem que resume bem os principais argumentos que encontrei. Comentarei cada tópico.


1) Seria lindo ver esses 476 bi de grandes devedores voltando, mas a verdade é que só dá pra recuperar menos de 100 bi parcelado pois a grande maioria das empresas já faliu. Se alguém descobrir uma forma de tais empresas voltarem das cinzas para pagarem seus débitos essa ajuda seria muito bem-vinda. E como o déficit é hoje de 200 bi anuais, admitindo que alguém conseguisse cobrar tudo isso, ele não taparia o buraco nem do primeiro ano.
"Ah, mas eles não cobram nunca os devedores ricos etc e tal": há um novo mecanismo de cobrança a inscritos na dívida ativa da União que caracteriza o “devedor contumaz”, ou seja, aqueles que apresentam, entre outras características, dívida igual ou superior a R$ 15 milhões por mais de 1 ano. O texto impede que esse tipo de devedor possa participar de programas de refinanciamentos, como os Refis, por 10 anos e permite o cancelamento do cadastro fiscal do contribuinte, caso constatado que o devedor causou desequilíbrio concorrencial.
Obs: Não podia deixar de falar o quão problemático podem ser esses Refis: já foram 40 desde o ano 2000: Premia o mau pagador e incentiva o bom pagador a ser mau também...

2) IGF é a sigla para o Imposto sobre Grandes Fortunas. De competência da União, previsto na constituição, é o único que nunca foi instituído. Não entendo como chegaram nesse valor de 14 bi, um valor que pouco resolve o problema (lembro de novo: déficit anual 200 bi)... Seria algo muito mais simbólico do que efetivo.
Mas então os economistas freestyle vão dizer: vamos aumentar o valor desse imposto! Quando exageram demais na mão, adivinha o que ocorre? Os ricos se mudam para outro país e muitas vezes levam junto seus negócios e então os pobres que trabalhavam para esses ricos ficam sem emprego.Vejam o que aconteceu na França: o governo acabou revogando a alíquota de 75% quando viu que afetava mil pessoas e aumentou em apenas 250 milhões de euros a arrecadação...

3) Eu sinceramente não tenho nem o que comentar pois não entendo de que forma o fim da reforma trabalhista faz 37 milhões de pessoas saírem da informalidade...

4) No mundo real, esse 1 trilhão seria incrível. Mais uma vez políticos e economistas freestyle alegam que metade do orçamento brasileiro é gasto com dívida pública fazendo muita gente acreditar. A verdadeira despesa anual do governo compreende: juros e encargos da dívida + amortização da dívida, o que deu um total de 360 bi em 2017, um valor bem distante da conta deles.
E um dos motivos da dívida não parar de crescer é exatamente pelo fato do país gastar mais do que arrecada ao longo de tantos anos. Para ter menos juros a gente precisa de superávit nominal para poder reduzir a divida.
Outro papo muito comum é dizer que somente os bancos se beneficiam disso. Os 2 grandes bancos privados (Bradesco e Itaú) detém 210 bi, menos de 5% da dívida pública. A maior parte dessa dívida está nas mãos de fundos de investimento, fundos de pensão, BNDES, FGTS, o próprio BC e o governo. Além disso, nós pobretas que compramos títulos do tesouro direto temos cerca de 1,5% da dívida.
A famosa "auditoria independente da dívida" questiona os métodos de cálculo, o que faria a dívida diminuir, mas isso ao custo de um calote. E ao dificultar o mecanismo de emissão de títulos para financiamento do governo, provocaria um aumento na taxa de juros, tendo em vista a dificuldade que seria pagar dívidas somente com o dinheiro dos impostos.
Eles são os mesmos que dizem que o Equador resolveu o problema da sua dívida, mas é o caso de um país que não tem moeda própria e que se aproveitou de um contexto bem especifico da crise de 2008 para negociar sua dívida cotada em dólares americanos, oferecendo aos credores a oportunidade de se livrar dos seus papéis com um deságio de 70%.

Se quiser entender melhor como isso funciona não deixe de ler esse artigo. Esse também é muito bom, com links para os dados do SIAF no site do Tesouro.

5) Esse é um ponto é o único que eu consigo concordar em alguma coisa. Os militares alegam que "nunca se aposentam", ficam em "disponibilidade". Maior balela isso aí. O governo afirma que o custo é menor mas promoveu um grande reajuste (característico de políticos que querem agradar seus apoiadores, nada de novo aqui) com a reestruturação das carreiras que vai implicar em aumento das despesas. Resumindo: receberam um aumento e mantiveram benefícios de integralidade e paridade que foram retirados de outras carreiras.

Argumento bônus - "Essa reforma só vai servir aos interesses do mercado financeiro": Esse é até engraçado. Olha o que ocorreu no último grande enriquecimento do "mercado financeiro" do país, quando eram exatamente as pessoas que esse pessoal tanto defende que estava no poder: O IBOV chegou a multiplicar por 5 nesse período, bancos bateram recorde de lucros, ações/lucros de várias empresas em disparada. Mas adivinha o que estava acontecendo ao mesmo tempo? Taxa de desemprego caindo, economia pujante e um dos momentos mais prósperos da economia do país. Pode parecer injusto eu sei, mas o mundo funciona assim: onde o rico prospera, há um pobre do outro lado ganhando emprego. Boa sorte pra quem tentar mudar isso aí...


Conclusão

A Grécia já chegou em estados como MG, RJ e RS e estima-se que mais da metade dos estados devem ir no mesmo caminho, principalmente por conta de gastos previdenciários elevados.

A ideia desses pensadores era que o governo devia trabalhar mais pelo lado da receita. O problema é que para bancar todas essas despesas do Brasil deveria crescer como uma China, mas não a de hoje, mas aquela dos bons tempos, que crescia uns 6 a 10% ao ano.

Encerro esse assunto com esse texto até porque está comprometendo minha meta de menos textão em 2019 e esse saiu grande pra kralho rs #pas

sábado, 5 de outubro de 2019

Carteira Batalha - Setembro (+3,16%) | Acumulado 3T 2019 (+12,05%)

CENÁRIO ATUAL

Afrouxamento monetário segue forte tanto no Brasil como no mundo. Incrível como existem cerca de 13 trilhões de dólares pelo planeta alocados em ativos de rentabilidade zero ou negativa. Selic já tem grandes chances de ficar abaixo de 5% até o final do ano. A economia mundial desaquece e parece que o Brasil mais uma vez vai contra o ciclo...

Reforma da previdência desidratada no senado mas segue para aprovação até o final do mês, gerando uma economia de 800 bi. Dados do CAGED animam. Será que agora vai?

Ataque à refinaria na Arábia Saudita provocou efeitos menos prejudiciais do que o esperado no final das contas. Quanto a guerra comercial não perco mais tempo falando daqueles cornos. Já encheu o saco essa treta Trump x Xi Jinping. A cada rusga deles os ativos desabam por todo o mundo.


VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL

Continuo com academia zero por falta de foco e disciplina nesse aspecto. Mas futebol de 1 a 2x por semana, o que não resolve mas é o que gosto. E creio que tão cedo não devo mudar isso. Essa é minha vida.

No trabalho estamos vivendo momentos de incerteza que irão proporcionar meses (ou anos) intensos e emocionantes... rs. Ótimo momento para que todos revejam suas carteiras e reflitam sobre um plano B, C, D independente do que vier a acontecer.

Cenário micro-econômico Batalha: Próximo ano eu e a Sra Batalha teremos um considerável aumento de despesas pois a Batalha Filha vai começar seus estudos. Não abrimos mão de investir o melhor que pudermos dentro das nossas condições, é claro.

Já comecei a fazer o planejamento financeiro 2020. Austeridade se mantém bem sólida:
  • Ao renegociar a conta da Vivo obtive um ótimo desconto e reduzi mais uma vez a conta mensal, desta vez em R$33
  • Consegui baixar a conta de energia em R$50 (e creio que ainda pode ser mais): peguei a dica da sogrinha e comecei a desligar o gelagua toda noite, o que pra mim é tão simples quanto apagar as luzes. Ninguém acorda de madrugada aqui para beber água gelada. Eu esperava que a eficiência energética desses aparelhos fosse melhor.
  • Já faz um tempo que pensava em renegociar a minha tarifa bancária mensal. Sou cliente Van Gogh Santander, mas mesmo com o bom serviço prestado considero o valor de R$69,90 muito alto (e isso porque tenho um desconto de 50%). Liguei para o teleatendimento e para minha surpresa de pronto já estornaram os últimos 3 meses e isentaram a dos próximos 3. De qualquer forma terei que ir pessoalmente na agência para renegociar em definitivo.
Vamos agora para os resultados, lembrando que nunca menciono valores, somente performance.


RENDIMENTO CARTEIRA BATALHA - ACUMULADO 3º TRIMESTRE: +12,05%

Carteira Batalha brilhou muito neste último mês. Vencemos os índices de referência. O rendimento mensal de setembro ficou em 3,16%. No acumulado do ano até 30/9 obtivemos +12,05%. A correlação negativa da queda de juros com os ativos de renda variável explica em parte essa alta.


CZB chegando cada vez mais próximo da meta de alocação de ativos. 8 FIIs até o momento. Pretendo entrar em mais 2 até o fim do ano e assim fechar a meta de 10. Para chegar na meta de 12 ações devo me desfazer de uns 3 papéis assim que o momento for propício.

Do último trimestre pra cá consegui reduzir em 11% minha alocação em ações, aumentei em 5% a de FIIs e em 9% a de Tesouro Direto. Hoje: 66% em RV e 34% em RF:



TESOURO DIRETO - ACUMULADO 3º TRIMESTRE: +7,34% (início abril-2019)

Foi linda a última queda de juros. Proporcionou um ótimo rendimento nos títulos indexados ao IPCA. Conseguimos em TD 2,88% em setembro.


AÇÕES - ACUMULADO 3º TRIMESTRE: +14,16%

Depois dos -1,98% de agosto, o placar do mês de setembro: CZB-Ações +4,11%  x  +3,57% IBOV


FIIS - ACUMULADO 3º TRIMESTRE: +8,46% (início maio-2019)

É a espécie de ativos que mais tenho estudado neste ano com o objetivo de definir a carteira até o fim deste ano, como já falei. Placar do mês de setembro: CZB-FIIs +3,64%  x  +1,04% IFIX


CRIPTOMOEDAS - ACUMULADO 3º TRIMESTRE: +37,33%

O que eu tinha de estudar desse tipo de ativo foi em 2017. Praticamente nem olho muito mais. Só vai ter aporte quando a estratégia mandar: -7,83% em setembro