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sábado, 28 de janeiro de 2017

Carteira de Investimentos do Falcão Perseverante - Para 2017 e além


Hoje vou dar uma de analista e apresentar uma sugestão de carteira de investimentos para o longo prazo. Aliás, meu prazo é mais do que longo. É até eu me aposentar, ou seja, vai demorar pra caramba, até o final dos tempos. Por isso que essa é a CARTEIRA DO FALCÃO PERSEVERANTE.

Ela é o resultado de 6 anos de estudo em que aprendi bastante e que pode servir como um norte para quem quer montar a sua própria. Para saber o quanto aportar mensalmente sugiro a leitura do post anterior. O maior segredo desse e de qualquer método está na força do aporte.

Falcão observador e perseverante


É importante saber que numa carteira como esta sempre ocorrerão várias oscilações, principalmente pelo fato de uma parte dela ser Renda Variável. Essa carteira pode ir bem em um ano, em outro ir mal, assim como ocorre até com os melhores gestores de fundos.

1) Reserva de Emergência

É aquele dinheiro para as emergências que surgem na vida de todos nós. Por isso o mais importante aqui é a liquidez. Por isso no meu método, creio que pode ser até a poupança, sim. Todo mundo cái de pau nela mas tem a liquidez mais extrema, você tira na hora que quiser e esse dinheiro aqui não é investimento, é para emergência.

Claro que se você tiver uma LCI ou um CDB com liquidez similar no seu banco, opte por ela. Eu não tenho. A literatura recomenda uma reserva de 1 a 6 meses de salário. Sugiro que analise a sua estabilidade para definir o quanto deve colocar aqui.

2) Plano de Previdência Complementar

Aconselho somente se for um que envolva coparticipação (a empresa que você trabalha deposita assim como você). É o meu caso.

No país, temos um histórico relevante de vários fundos que quebraram, mas a segurança que ele dá no caso de imprevistos envolvendo a sua saúde é bem importante, ao completar seu salário caso ganhe acima do teto do INSS. 

Há um risco, mas você administra de acordo com seu perfil de quanto botar do seu salário no final do mês. E este risco pode ser tratado pelo tópico a seguir...

3) Diversificação

No ótimo filme "A Grande Aposta" há uma frase que ilustra bem o que penso sobre investimentos: “As pessoas odeiam pensar sobre coisas ruins acontecendo; então, elas sempre subestimam sua probabilidade”.

Daí a importância de diversificar e tentar estar preparado para vários cenários, mesmo sabendo da nossa incapacidade de prever o futuro. Prever crises é muito difícil. O mais prudente é se preparar para quando algo ruim vier.

Há uma frase do mestre Warren Buffet que diz que quem diversifica demais não sabe o que está fazendo. Pode ser que esse seja o meu caso! Não calço nem o chinelo dele, que é um dos homens mais ricos do mundo. E você que deve estar lendo até agora não deve ser muito diferente de mim. Somos normais, Buffet é um gênio.

Baseado nessa premissa, penso todo mês sobre a diversificação da minha carteira. Nós precisamos pensar em prosperar nos investimentos, mas ainda mais importante para pessoas como a gente é mitigar risco! Por isso a necessidade de diversificar.

4) Renda Fixa (RF) x Renda Variável (RV)

É aqui o ponto chave da estratégia e mais polêmico. Adoto 70RF-30RV atualmente como objetivo. Pretendo reduzir pra 75RF-25RV quando fizer 40 anos e assim sucessivamente a cada 5 anos. O objetivo é que a exposição a risco reduza à medida que a idade for avançando.

Há uma vertente que aponta que você deve investir a sua idade em renda fixa (Ex: 35% em RF) e a diferença (considerando que vai viver até 100 anos) em renda variável (Ex: 75% em RV). Eu particularmente não pretendo arriscar tanto, mas isso vai do perfil de cada um.

Há recomendações de carteiras que recomendam um percentual de 5% a 10% a  em moeda forte (dólar), ouro e terrenos, como seguro pra crises que possam eclodir. Na minha visão é bom deixar algo para terrenos, que é o que pretendo fazer assim que tiver condições e achar uma oportunidade.

5) Minha alocação em RF

Dentro dos 70% de meta em renda fixa, atualmente tenho 65% em Tesouro IPCA e 35% em Tesouro Selic. Minha RF é Tesouro Direto, basicamente. Essa alocação pode ser ainda melhor diversificada, mas é o que tenho atualmente.

Há quem diga que não há garantia do FGC, mas se o país não puder honrar o compromisso de seus títulos soberanos, esse é o menor dos problemas que você deve estar encarando se isso vier a acontecer e mesmo com nossos problemas atuais, a possibilidade é bem remota.

Com o Tesouro Selic (ou LFT) você nunca perde dinheiro. Na pior das hipóteses você deixa de ganhar mais, ainda assim pode sacar sempre rendendo mais que a poupança. Há poucos meses a Selic estava em 14,25% e no momento que escrevo está em 13%. E ainda pode servir também como reserva de emergência por conta da sua ótima liquidez.

Com o Tesouro IPCA (ou NTN-B) você tem garantia de rendimentos reais, te protegendo da inflação (se levada até o vencimento do título), pois ele tem uma parte prefixada + IPCA (cheguei a pegar 7,4% +IPCA).

O mais legal é que essa parte "pré" pode te garantir um rendimento ainda maior se sacar antes num contexto de queda de juros, que vivemos atualmente. Ao mesmo tempo você pode perder se comprar e sacar no momento de uma alta de juros. Esse é o dinheiro que você coloca sabendo que não pode tirar numa emergência. Esse é o segredo: saber onde e quanto colocar em cada ativo.

Há títulos prefixados, como a LTN, que são bem recomendados nos últimos meses. Você ganha ainda mais com a queda da taxa de juros. Mas me sinto mais seguro com a carteira supracitada. Se for pra ter mais risco prefiro deixar pra Renda Variável.

Há opções de CDBs, LCIs, LCAs, etc. Mas meu banco nunca me deu uma decente. LCI a 80% do CDI com aplicação mínima de 10 mil contos não dá pra mim. Há opções melhores em corretoras.

6) Minha alocação em RV

É muito mais complexo.Vale um post seguinte só pra isso.


7) Resultados

Minha estratégia inicial foi definida em 2014. No início, minha exposição em RV era bem maior. Revi esse percentual pois percebi que estava passando do nível de risco que eu pretendia. Este são meus resultados (nominais) até então:

2014: -7,84%
2015: -8,45%
2016: 16,40%

Dá pra ver como o meu início foi bem negativo. Quem entra nessa tem que saber que sempre teremos altos e baixos. Tenho consciência que estou no início de uma longa caminhada.

8) Expectativas para 2017

Claro que não tenho bola de cristal. Mas creio que a queda de juros será forte e que chegaremos a juros de 1 digito até o final do ano. Essa queda crescente deve acarretar um crescimento da economia, dos resultados das companhias e consequentemente dos resultados em renda variável, claro se você estiver investindo em boas empresas.

O mais importante

O mais importante é que você reflita, veja outras opiniões, estude para assim ter mais conhecimento e definir seus próprios critérios para montar a sua própria carteira.

Recomendo que questione tudo que ler aqui e até você mesmo. Ter certeza de tudo sempre é algo muito perigoso, ainda mais em investimentos. Não há uma verdade absoluta. De tudo que aprendi, a única certeza que tenho é que preciso aprender muito mais ainda.

É por isso também que essa carteira não serve somente para esse ano, mas sim para todos os próximos. Sempre haverá um novo aprendizado, que vai implicar em algumas alterações na estratégia e alocações da carteira, mas seu objetivo e essência se manterão os mesmos.

Foque na sua estratégia. Se o que você leu até aqui puder te servir de base e orientação, ficarei feliz por isso. Mas sempre erre ou acerte pelas suas próprias ações.

Seguir suas próprias convicções (e por isso devemos estudar sempre) é muito importante. Falo por experiência própria que é muito mais suportável errar baseado em algo que você acredita do que no que outra pessoa te fez acreditar que era a verdade. Em resumo, não confie a ninguém o seu futuro